O QUE É CÂNCER? AS INFORMAÇÕES BÁSICAS

O que é o câncer? 

Segundo o INCA (Instituto nacional do câncer), câncer é um termo que abrange mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas que têm em comum o crescimento desordenado de células, que podem invadir tecidos adjacentes ou órgãos à distância.

Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores, que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Quando começam em tecidos epiteliais, como pele ou mucosas, são denominados carcinomas. Se o ponto de partida são os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem, são chamados sarcomas.

 

Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes, conhecida como metástase.




Como surge o câncer? 



O câncer surge a partir de uma mutação genética, ou seja, de uma alteração no DNA da célula, que passa a receber instruções erradas para as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados proto-oncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os proto-oncogenes tornam-se oncogenes, responsáveis por transformar as células normais em células cancerosas.

As células que constituem os animais são formadas por três partes: a membrana celular, que é a parte mais externa; o citoplasma (o corpo da célula); e o núcleo, que contém os cromossomos, que, por sua vez, são compostos de genes. Os genes são arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização das estruturas, formas e atividades das células no organismo. Toda a informação genética encontra-se inscrita nos genes, numa "memória química" - o ácido desoxirribonucleico (DNA). É através do DNA que os cromossomos passam as informações para o funcionamento da célula.

O processo de formação do câncer é chamado de carcinogênese ou oncogênese e, em geral, acontece lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere-se e dê origem a um tumor visível. Os efeitos cumulativos de diferentes agentes cancerígenos ou carcinógenos são os responsáveis pelo início, promoção, progressão e inibição do tumor. 

A carcinogênese é determinada pela exposição a esses agentes, em uma dada frequência e em dado período de tempo, e pela interação entre eles. Devem ser consideradas, no entanto, as características individuais, que facilitam ou dificultam a instalação do dano celular. Esse processo é composto por três estágios: 

• Estágio de iniciação: os genes sofrem ação dos agentes cancerígenos, que provocam modificações em alguns de seus genes. Nessa fase, as células se encontram geneticamente alteradas, porém ainda não é possível se detectar um tumor clinicamente. Elas encontram-se "preparadas", ou seja, "iniciadas" para a ação de um segundo grupo de agentes que atuará no próximo estágio.

• Estágio de promoção: as células geneticamente alteradas, ou seja, "iniciadas", sofrem o efeito dos agentes cancerígenos classificados como oncopromotores. A célula iniciada é transformada em célula maligna, de forma lenta e gradual. Para que ocorra essa transformação, é necessário um longo e continuado contato com o agente cancerígeno promotor. A suspensão do contato com agentes promotores muitas vezes interrompe o processo nesse estágio. Alguns componentes da alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos de fatores que promovem a transformação de células iniciadas em malignas.


• Estágio de progressão: se caracteriza pela multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio, o câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das primeiras manifestações clínicas da doença. Os fatores que promovem a iniciação ou progressão da carcinogênese são chamados agentes oncoaceleradores ou carcinógenos. O fumo é um agente carcinógeno completo, pois possui componentes que atuam nos três estágios da carcinogênese.



Tipos de câncer 


Segundo o Instituto Oncoguia, existem mais de 200 tipos diferentes de câncer e pode-se desenvolver a doença em qualquer órgão do corpo e cada órgão, por sua vez, pode ser acometido por tipos diferenciados de tumor, mais ou menos agressivos.

Os tipos de câncer registrados no site do Instituto Nacional do Câncer são: Anal, Bexiga, Boca, Colo do útero, Corpo do útero, Esôfago, Estômago, Fígado, Infantojuvenil, Intestino, Laringe, Leucemia, Linfoma de Hodgkin, Linfoma não Hodgkin, Mama, Ovário, Pâncreas, Pele melanoma, Pele não melanoma, Pênis, Próstata, Pulmão, Sistema Nervoso Central, Testículo e Tireoide.

O “VivaBem”, selo da Revista Uol, reuniu dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) em que se afirma os tumores como os segundos maiores causadores das mortes no Brasil e, também, a lista a seguir dos tipos mais frequentes:

  • Câncer de próstata

É o tipo mais comum no Brasil (se não considerarmos o câncer de pele não melanoma). O risco da doença aumenta após os 50 anos. Entre as principais causas do problema estão fatores genéticos, o uso de anabolizantes, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, má alimentação e obesidade.


  • Câncer de mama

As causas mais comuns da doença são histórico familiar, menopausa tardia, menstruação precoce, colesterol alto, sedentarismo, entre outros. O sintoma mais frequente é o aparecimento de um caroço no seio. A detecção precoce aumenta a chance de cura. Por isso é importante fazer o autoexame.

  • Câncer colorretal

Abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. Se detectada precocemente, a doença é curável na maioria das vezes. Esse câncer geralmente é causado pelo consumo exagerado de bebida alcoólica, de alimentos processados e de carne vermelha, pelo tabagismo e pelo sedentarismo.


  • Câncer de pulmão

Em 90% dos casos diagnosticados, o câncer de pulmão está associado ao consumo de derivados de tabaco. Seus sintomas dependem da localização do tumor no órgão, mas o paciente pode ter tosse seca, falta de ar, dor torácica, pneumonia e presença de sangue ao tossir.


  • Câncer de estômago

Tem como fatores de risco uma dieta rica em alimentos processados, a obesidade e o consumo de álcool. De acordo com o Inca, cerca de 65% dos pacientes diagnosticados com esse câncer têm mais de 50 anos. Geralmente, não possui sintomas no estágio inicial, mas seu avanço causa sensação de inchaço depois de comer, náuseas, azia e indigestão.


  • Câncer de colo do útero

A doença é causada pela infecção do Papilomavírus Humano (HPV). A infecção por esse vírus é frequente e não causa tumor na maioria das vezes. Porém, em alguns casos, pode acontecer uma alteração celular e a evolução para o câncer. Essas mudanças das células são descobertas facilmente no exame papanicolau.


  • Câncer de cavidade oral

O câncer de cavidade oral inclui a mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua oral e assoalho da boca. O problema, que costuma surgir após os 40 anos, tem como principais causas o vício de fumar cachimbos e cigarros, o consumo de álcool e má higiene bucal.


  • Câncer Sistema Nervoso Central

São os tumores primários do cérebro e/ou medula espinhal. Compreendem de 15% a 20% de todos os cânceres que acometem a faixa etária pediátrica. A causa desse tipo de câncer não é totalmente conhecida. Mas, já se sabe que algumas das mudanças que ocorrem nas células normais do cérebro podem levar à formação de tumores cerebrais.


  • Câncer de esôfago

Estão no grupo de risco para desenvolver o problema aqueles que fumam, ingerem bebidas alcoólicas e não possuem uma alimentação saudável ou fazem exercícios. Os principais sintomas são dificuldade em engolir alimentos, má digestão, azia, rouquidão, hemorragia digestiva, tosse e falta de ar.


  • Câncer na tireoide

Ainda faltam estudos que comprovem a relação, porém, especialistas acreditam que a doença pode estar ligada ao hipertireoidismo, a alterações dos hormônios sexuais, a padrões dietéticos, à obesidade e ao tabagismo.


Números (dados) do câncer 

“A incidência, a morbidade hospitalar e a mortalidade são medidas de controle para a vigilância epidemiológica que permitem analisar a ocorrência, a distribuição e a evolução das doenças. Conhecer informações sobre o perfil dos diferentes tipos de câncer e caracterizar possíveis mudanças de cenário ao longo do tempo são elementos norteadores para ações de Vigilância do Câncer - componente estratégico para o planejamento eficiente e efetivo dos programas de prevenção e controle de câncer no Brasil. A base para a construção desses indicadores são os números provenientes, principalmente, dos Registros de Câncer e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/MS).” - Instituto Nacional de Câncer (Inca)




O que causa o câncer? 


O câncer não tem uma causa única. Há diversas causas externas e internas . Os fatores podem interagir de diversas formas, dando início ao surgimento do câncer.

Entre 80% e 90% dos casos de câncer estão associados a causas externas. As mudanças provocadas no meio ambiente pelo próprio homem, os hábitos e o comportamento podem aumentar o risco de diferentes tipos de câncer. 

Entende-se por ambiente o meio em geral (água, terra e ar), o ambiente de trabalho (indústrias químicas e afins), o ambiente de consumo (alimentos, medicamentos) e o ambiente social e cultural (formas de agir e de se comportar). Os fatores de risco ambientais de câncer são denominados cancerígenos ou carcinógenos. Esses fatores alteram a estrutura genética (DNA) das células.

As causas internas estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. Apesar de o fator genético exercer um importante papel na formação dos tumores (oncogênese), são raros os casos de câncer que se devem exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos. 

Existem ainda alguns fatores genéticos que tornam determinadas pessoas mais suscetíveis à ação dos agentes cancerígenos ambientais. Isso parece explicar porque algumas delas desenvolvem câncer e outras não, quando expostas a um mesmo carcinógeno. 

O envelhecimento natural do ser humano traz mudanças nas células, que as tornam mais vulneráveis ao processo cancerígeno. Isso, somado ao fato de as células das pessoas idosas terem sido expostas por mais tempo aos diferentes fatores de risco para câncer, explica, em parte, o porquê de o câncer ser mais frequente nessa fase da vida.


Como prevenir o câncer e fatores de risco 


De acordo com o dicionário Oxford Languages, “prevenção” é o conjunto de medidas ou preparação antecipada de algo que visa prevenir (um mal). Desse modo, a prevenção do câncer engloba ações realizadas para reduzir os riscos de ter a doença, dividindo-se em prevenção primária e secundária.

A prevenção primária consiste em impedir que o câncer se desenvolva, ou seja, significa evitar a exposição aos fatores de risco de câncer e a adoção de um modo de vida saudável. Já a prevenção secundária consiste em detectar e tratar doenças pré-malignas ou cânceres assintomáticos iniciais.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) disponibiliza em seu site oficial uma lista de ações e dicas para prevenir o câncer:


  1. Não fume!

Essa é a regra mais importante para prevenir o câncer, principalmente os de pulmão, cavidade oral, laringe, faringe e esôfago. Ao fumar, são liberadas no ambiente mais de 7.000 compostos e substâncias químicas que são inaladas por fumantes e não fumantes. Parar de fumar e de poluir o ambiente é fundamental para a prevenção do câncer.

  1. Alimentação saudável protege contra o câncer.

Uma ingestão rica em alimentos de origem vegetal como frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e pobre em alimentos ultraprocessados, como aqueles prontos para consumo ou prontos para aquecer, bebidas adoçadas, entre outros, pode prevenir o câncer. A alimentação deve ser saborosa, respeitar a cultura local, proporcionar prazer e incluir alimentos regionais.

  1. Mantenha o peso corporal adequado.

Manter um peso saudável ao longo da vida é uma das formas mais importantes de se proteger contra o câncer. Uma alimentação saudável, além de fornecer nutrientes que protegem contra o câncer, favorece a manutenção do peso saudável. A recomendação é evitar alimentos ultraprocessados e fazer dos alimentos vegetais como as frutas, legumes, verduras, feijões e outros grãos, sementes, castanhas a base da alimentação.

A atividade física também contribui para a manutenção do peso corporal saudável. Para a prática de atividade física, não há necessidade de serem aquelas modalidades que demandam a contratação de serviços como academias; atividades como caminhar tanto no tempo livre, quanto no deslocamento, pedalar, dançar, etc são boas opções.

A criação de ambientes que incentivem a alimentação saudável e a prática de atividade física ao longo da vida é fundamental para o controle do câncer.

  1. Pratique atividades físicas.

Você pode, por exemplo, caminhar, dançar, trocar o elevador pelas escadas, levar o cachorro para passear, cuidar da casa ou do jardim ou buscar modalidades como a corrida de rua, ginástica, musculação, entre outras. Experimentar e  achar aquela modalidade que você gosta é importante para começar e/ ou aumentar a realização de atividade física. Aproveite e busque fazer dessas atividades um momento coletivo, prazeroso e divertido, com a família e amigos, ou faça da atividade física um momento introspectivo no qual você se conecta consigo, enfim, é possível encaixar a atividade física na rotina de cada um, seja através do deslocamento ativo indo ao trabalho ou outras atividades caminhando ou de bicicleta, são diferentes possibilidades.

  1. Amamente.

O aleitamento materno é a primeira ação de alimentação saudável. A amamentação até os dois anos ou mais, sendo exclusiva até os seis meses de vida da criança, protege as mães contra o câncer de mama e as crianças contra a obesidade infantil. A partir de seis meses da criança, deve-se complementar a amamentação conforme a dica sobre Alimentação saudável e proteção contra o câncer.

  1. Mulheres entre 25 e 64 anos devem fazer o exame preventivo do câncer do colo do útero a cada três anos. 

As alterações das células do colo do útero são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolaou), e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso, é importante a realização periódica deste exame. Tão importante quanto fazer o exame é saber o resultado, seguir as orientações médicas e o tratamento indicado.

  1. Vacine contra o HPV as meninas de 9 a 14 anos e os meninos de 11 a 14 anos.

A vacinação contra o HPV, disponível no SUS, e o exame preventivo (Papanicolaou) se complementam como ações de prevenção do câncer do colo do útero. Mesmo as mulheres vacinadas, quando chegarem aos 25 anos, deverão fazer um exame preventivo a cada três anos, pois a vacina não protege contra todos os subtipos do HPV. Grupos especiais, como pessoas com imunodeficiência causada pelo HIV, devem seguir orientações específicas. Para mulheres com imunossupressão, vivendo com HIV/Aids, transplantadas e portadoras de cânceres, a vacina é indicada até os 45 anos de idade. 

  1. Vacine contra a hepatite B.

O câncer de fígado está relacionado à infecção pelo vírus causador da hepatite B e a vacina é um importante meio de prevenção deste câncer. O Ministério da Saúde disponibiliza nos postos de saúde do País a vacina contra esse vírus para pessoas de todas as idades.

  1. Evite a ingestão de bebidas alcoólicas.

Seu consumo, em qualquer quantidade ou tipo, contribui para o risco de desenvolver câncer. Além disso, combinar bebidas alcoólicas com o tabaco aumenta a possibilidade do surgimento da doença.

  1. Evite comer carne processada.

Carnes processadas como presunto, salsicha, linguiça, bacon, salame, mortadela, peito de peru e blanquet de peru podem aumentar a chance de desenvolver câncer. Os conservantes (como os nitritos e nitratos) podem provocar o surgimento de câncer de intestino (cólon e reto).

  1. Evite a exposição ao sol entre 10h e 16h, e use sempre proteção adequada, como chapéu, barraca e protetor solar, inclusive nos lábios.

Se for inevitável a exposição ao sol durante a jornada de trabalho, use chapéu de aba larga, camisa de manga longa e calça comprida.

  1. Evite exposição a agentes cancerígenos no trabalho.

Agentes químicos, físicos e biológicos ou suas combinações são causas bem conhecidas de câncer relacionado ao trabalho, e evitar ou diminuir a exposição a estes agentes seria o ideal e desejável. Mas para que isto ocorra de maneira satisfatória, é necessário o comprometimento de todos os envolvidos nos diversos processos de trabalho, visando a elaboração de planos para evitar o adoecimento dos trabalhadores. Também é fundamental a implementação de leis que obriguem e fiscalizem a substituição dos agentes causadores de câncer no trabalho por outros mais saudáveis, quando já houver esta alternativa.





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